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quinta-feira, abril 07, 2005

A decadência da classe trabalhadora - Alemanha e França


Texto interessante sobre a situação actual do emprego / desemprego no mundo. Atenção que coloco aqui este texto não como uma verdade absoluta (mas sem dúvidas com algumas verdades) mas sim como uma exposição que deverá por a pensar todos aqueles que trabalham e procuram emprego!

Como disse no editorial deste blog, a politica e sociedade também teriam aqui o seu lugar!

Para ser “competitivo” o país deve participar ativamente no campeonato mundial de “operários pobres”, com vasta oferta de mão-de-obra com salários e benefícios que sejam os menores possíveis.

A máxima portanto é: Enquanto os trabalhadores europeus e norte-americanos insistirem em recusar a “modernidade” e a “globalização” que os levará a ter seu padrão de vida nivelado aos mais baixos do terceiro mundo, o desemprego persistirá.

“Elas seguem políticas diferentes, mas estão acometidas da mesma impotência. A Alemanha e a França sofrem de um desemprego maciço. Nos dois paises, uma pessoa ativa em cada dez esta sem emprego. Nem a reforma drástica do mercado de trabalho, que foi votada por Berlim em julho de 2004, nem a ‘poção’ menos amarga administrada pelo governo Raffarin permitiram deter o aumento desenfreado do numero de desempregados”.(1)

Estas notícias confirmam de modo sinistro o que já vínhamos afirmando desde muito tempo. Independentemente da orientação política dos governos, das condições de crescimento ou retração das atividades econômicas, o nível de emprego e/ou a renda do trabalhador sempre cai.

“Reformas trabalhistas não deram resultados e dois pleitos importantes se aproximam”.(2) Esse é o subtítulo da matéria publicada pelo “Le Monde”, destacando a perplexidade de dois governos de orientação política radicalmente diferente, diante da inutilidade de suas ações para deter a onda de desemprego nesses países.

Em passado recente, os governos social-democratas eram acusados de manter o desemprego em alta por se recusarem a efetuar as reformas trabalhistas que dessem início ao desmonte do Estado de bem-estar social desses países. Agora, mesmo depois de reformas feitas pelo governo “esquerdista arrependido” de Gerhard Schröder na Alemanha, e do governo direitista de Jean-Pierre Raffarin na França, a situação permanece inalterada.

O que estaria acontecendo? Um grande executivo alemão deu a resposta sem rodeios: “[Disse] Manfred Wennemer, ao detalhar os seus projetos de investimentos na Europa Oriental. ‘A Alemanha ainda tem um longo caminho a percorrer’ , até conseguir tornar-se competitiva em termos de custo do trabalho, afirmou este partidário decidido do alongamento da duração do trabalho”.(3)

Em outras palavras, enquanto na Alemanha não for possível pagar os salários de fome da “Europa Oriental” (países ex-comunistas e agora novos membros do terceiro e quarto mundo), o desemprego irá continuar. Para ser “competitivo” o país deve participar ativamente no campeonato mundial de “operários pobres”, com vasta oferta de mão-de-obra com salários e benefícios que sejam os menores possíveis.

Na França, diante da diante da “perplexidade” do governo direitista com a inutilidade de suas políticas, “Jean-Pierre Raffarin declarou que ele reunira, na próxima quinta-feira (07/04), um seminário governamental sobre o emprego”.(4) Mas essa atitude foi vista como mera protelação.

“O anuncio do primeiro-ministro foi recebido com ceticismo. Desde quinta-feira, o presidente do Medef (sindicato patronal), Ernest-Antoine Seillière, e o da UMP, lembraram, separadamente, a importância que eles atribuem a uma reforma em profundidade do Código do trabalho”. (4)

Todos os esforços feitos até agora em termos de “flexibilização” de horários de trabalho (eufemismo para aumentos de jornadas com a mesma remuneração) e de negociações salariais (modo elegante de se referir a reduções de salários e benefícios), não foram o bastante.

“Nenhuma reversão da tendência no mercado de trabalho ainda foi detectada. A economia continuou a destruir empregos, exceto no setor das pequenas atividades temporárias, as quais são exoneradas de cotizações sociais”.(5)

A conclusão é que a verdadeira “chave do sucesso” para as políticas de direita ou de esquerda, é reconhecer a decadência inexorável da classe trabalhadora e parar de lutar contra a realidade. É preciso destruir definitivamente qualquer limitação à supremacia total do mercado.

O único problema é que os EUA já adotam essa política há bastante tempo e o resultado é que o número de empregos gerado fica sempre “abaixo das expectativas”, a cada nova rodada de pesquisas. Por outro, lado a renda dos trabalhadores empregados não para de cair de forma vertiginosa, a ponto de ser apontada como obstáculo à manutenção do crescimento do mercado interno.

A máxima portanto é: Enquanto os trabalhadores europeus e norte-americanos insistirem em recusar a “modernidade” e a “globalização” que os levará a ter seu padrão de vida nivelado aos mais baixos do terceiro mundo, o desemprego persistirá.

O que ninguém quer admitir é o fato óbvio de que o desemprego atual é fruto das novas tecnologias de informação e telecomunicações que, combinadas com novas práticas gerencias “enxutas”, destrói empregos numa velocidade sempre maior do que pode repor a própria expansão do mercado. Esta é uma contradição intrínseca a nova Era da Informação ou “capitalismo informacional”. Até o momento, as ações tradicionais dos governos, mesmo as mais “realistas”, são incapazes de lidar com o problema. Não passam de tentativas de “enxugar gelo ao sol”. O fato é que nem mesmo no terceiro mundo, os trabalhadores não estão conseguindo competir com máquinas cada vez mais “inteligentes” e baratas. Em longo prazo, mesmo o operário mais miserável acabará sendo pouco “competitivo” diante das novas tecnologias de produção.

Notas:
(1) “Aumento do desemprego na Alemanha e na França fragiliza governos Schröder e Raffarin” - Claire Guelaud e Adrien Tricornot - Le Monde - 02/04/2005
(2) Idem. (3) Idem. (4) Idem. (5) Idem.

Fonte:Idymedia Portugal

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