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terça-feira, janeiro 17, 2006

Red Skins - França - História

Descobri este texto na net. Apesar de não me rever em algumas das coisas que aqui são ditas, não deixo achar que esta história-análise da cena Red Skin francesa esta muito bem feita. Pelo menos foi do melhor que já li até hoje. Este texto aborda o movimento Red Skin francês desde o seu nascimento até aos nosos dias. Aborda também, ao de leve, as outras tendências existentes no movimento skinhead. Sim sei que o texto tem política…mas eu nunca disse que este site era apolítico!

RED SKINS - FRANÇA


1
-A França: Uma situação particular

O movimento RedSkin francês (o primeiro a existir de maneira específica a nível internacional) nasceu dentro das condições particulares em redor dos anos 1984/1986. Por um lado, uma situação económica e política extremamente dura, caracterizada por um desemprego massivo, o princípio de políticas neo-liberais e a instalação em França de um enorme movimento de extrema direita representado pela Frente Nacional (FN); por outro lado, o aparecimento de um movimento cultural: o alternativo (mistura de punk-rock em francês, de contestação política e de cruzamento de culturas).
2-Uma cultura urbana à parte
Os primeiros RedSkins franceses não são de forma alguma parte do movimento Skinhead e da sua cultura. Nessa época,. a quase totalidade dos Skinheads de França são fascistas ou apolíticos. Eles "rebentam" nos concertos punks e nas okupas para marcar território, atacam vagabundos na rua, implicam com imigrantes, roubam putos no metro. Aparecem nas primeiras páginas dos jornais e dos telejornais, desfilam em manifestações... Em redor dos "Bérurier Noir" cria-se uma espécie de serviço de segurança, que se encarrega de proteger os concertos e de impedir os fachos de entrar. É o nascimento do primeiro "bando" importante de Redskins, os Red Warriors, e também dos primeiros "caçadores" de fachos parisienses.
Entretanto, alguns indivíduos isolados tinham ouvido falar da banda inglesa "The Redskins" e, seduzidos pela aliança do look prolo/bastão dos Skins e das ideias de extrema-esquerda, fazem aproximadamente o mesmo percurso. Os Red Warriors (entre outros) encarregam-se de fazer mudar o medo de campo. Três anos mais tarde, não existe mais ninguém (pelo menos em Paris) que apareça com a bandeira francesa no "bomber". Esta vitória não é, evidentemente, obra apenas dos Red Warriors, mas também da multiplicação de respostas, da lassidez dos "velhos" fachos, do abandono dalguns fachos que se dão conta que tinham sido manipulados por politicuchos e que o fascismo não leva a lado nemhum... Os Red Warriors foram indubitávelmente o detonador de uma certa forma de encarar o antifascismo radical, em ligação com a situação concreta da época. Numerosos bandos , mais o menos míticos, são formados, como os "Lenine Killers", a "Red Action Skinhead" e em Marselha, os "Massilia Red Army". Eles dão azo a que apareça um fenómeno bem menos interessante, o dos "caçadores" de Skins. Se alguns bandos como os "Ducky Boys" tinham uma ética e regras de comportamento, outros não eram mais que provocadores de conflitos que se tornariam tão perigosos para quem se atravessasse no seu caminho quanto o tinham sido os fachos alguns anos antes. Esta lógica de território , de "gangs", de violência pela violência não tomará felizmente a dimensão que encontramos ainda hoje nos E.U.A.
A cultura deste momento é variada: ao nível musical, Oi!, punk-alternativo, reggae, mas também psychobilly ou mesmo hip-hop. De certa forma, os Redskins são a "vanguarda" mais decidida no interior do "Alternativo" contra o fascismo e o racismo. A música é secundária. O único grupo a detêr a unanimidade é, evidentemente, "The Redskins", o grupo de power-soul trotskista (Socialist Workers Party) britânico. Políticamente também não existe unidade: alguns são trotskistas de tendência O.C.I. ou L.C.R.; outros P.C.F., e mais numerosos os de sensibilidade autónoma ou libertária. A SCALP (Section Carrement Anti Le Pen), grupo libertário não-dogmático e ultra-activista contribuirá com o essencial para a militância política dos Redskins da época.
Finalmente, ao nível do visual, os Redskins cultivam uma mistura de elementos retirados aos Skins ("bombers", DOC's), aos Psychos (brosses flat top, lenço vermelho) aos primeiros B-Boys (calças largas, bonés de basket), tudo acrescido de símbolos índios (bolsas de cinto, t-shirts dos "Washington Redskins") e do folclore proletário (camisola de camionista, "macaco"),... Alguns também seguem a moda da "bomber" virado com o lado laranja de fora lançada pelo grupo inglês, mas não todos (demasiado vistoso? demasiado "disco"?). É portanto á partida um movimento cultural aberto, que não procura diferenciar-se do resto do "underground" da época, mas que exprime um antifascismo visceral e enérgico, na rua e nos concertos.
3-1989: O retorno à raiz - Fim do alternativo
Com o recuo da presença de fachos na rua, a razão de sêr dos Redskins tornou-se quase caduca, o fascismo institucionaliza-se, tenta-se mostrar mais apresentável (rotura mais o menos real com os elementos mais nazis dentro dos Skins) e é em torno dos partidos que toma a dimensão de fenómeno e a propôr "soluções" dentro de um terreno mais vasto. Em 1989 é também o fim de não poucas bandas de pontificavam na cena alternativa como "Nuclear Device", "Les Brigades", assim como "Kortatu" e "Bérurier Noir". Alguns Redskins abandonam, e outros começam a (re)descubrir as verdadeiras raízes do movimento Skinhead: o reggae, o rocksteady, o ska, a mistura cultural da Inglaterra dos anos 60.
Ainda em '89 é o boom do "2º Revival Ska" (Unicorn Records, ska alemão -"Skaos"- e americano - "The Toasters"-). É o regresso dos "Original Skins", Trojan Skins em França. Começa-se também a ouvir falar da S.H.A.R.P. Os Redskins mais ligados a essa cultura tronam-se então Red Skinheads, isto é, Skinheads autênticos (música, visual,...) mas sempre ligados aos valores da esquerda e da extrema-esquerda. Eles ganham em "credibilidade" em relação aos outros Skins (apolíticos) mas perdem certamente em originalidade, perdendo-se assim a ocasião de desenvolver uma verdadeira cultura juvenil políticamente consciente, capaz de fazer a junção com os jovens imigrantes dos bairros difíceis. A aposta numa cultura datada dos anos sessenta (soul, ska, reggae) e fim dos setenta (streetpunk e Oi!) inclui a meu ver o movimento Skin/Redskin no rol de modas nostálgicas um pouco como os rockabillies, os mods, os punks e isola-o das culturas rebeldes actuais (rap, ragga, jungle e hardcore).
4-A Internacional Red
A partir de final dos anos '80, no rasto da "Anti Racist Action" americana, o movimento Redskin nos Estados Unidos mas também no Estado Espanhol (graças ao legado dos "Kortatu"), na Itália, na Alemanha, no México, na Colômbia, ou ainda no Québec,desenvolve-se : a R.A.S.H. (Red & Anarchist Skinheads) nasce. Ela dá um novo fólego á cultura Redskin, populariza-a, estrutura-a de uma certa maneira, sem no entanto a estereotipar. As diferenças continuam a existir entre os diferentes movimentos nacionais, devido ás suas respectivas histórias.
No Estado Espanhol e na América Latina (e em certa medida nos E.U.A.) - ( e em Portugal - nota do traductor )os Reds são mais próximos do espírito dos primeiros Redskins franceses (multicultaridade), mais abertos musical e políticamente.
Na Alemanha eles fazem parte integrante da cena Skinhead, são mais orientados para o Oi! e o Ska e estão próximos da estranha tradição política autónomo-stalinista alemã.
Hoje em dia, em França, as duas tradições coabitam.
Quanto á Inglaterra, berço da cultura Redskin, a situação é muito particular. Os Skins são uma verdadeira "instituição" da Working Class, de uma certa forma apolítica (eu sei, alguns tentam fazer crer que desde o início o movimento era consciente da sua pertença á classe operária de forma militante, "á esquerda", eu penso que é falso) e desde o principio as suas opiniões políticas foram muito diversas, em função do bairro, da tradição familiar... Os Skinheads de esquerda não se conseguem diferenciar (música, visual...) dos boneheads da direita, a questão não se põe nesses termos. Os mais militantes dos Reds ingleses agrupam-se a volta da "Red Action" (grupo comunista dissidente do S.W.P.) e da "Anti Fascist Action" e do seu jornal "Fighting Alk".
5-Renovação Redskin - Rumo a uma nova generação
Após 3 ou 4 anos, na senda do revival punk/oi! e punk/rock francês e graças ao perpetuo fluir do manancial do Ska e do Reggae, os jovens Redskins tomam o realce. Muito activos e melhor organizados que nos anos anteriores, os Redskins de hoje-em-dia sabem melhor fazer-se entender e defender a sua identidade, mas "guetizam-se" demasiado na cena punk enquanto deveriam talvez criar ligações com a juventude imigrada através da cultura hip-hop ou reggae. Mas as coisas evoluem rapidamente, as "cenas" abrem-se e a juventude de hoje-em-dia parece mais aberta que a precedente.

Escrito por Romuald da banda Redskin de Lyon "LES PARTISANS"

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