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terça-feira, março 21, 2006

História dos Sound Systems (Parte II)

Esta febre dos Sound Systems mostrava a sua face mais agressiva com a aparição de “valentões” e espiões (contratados pelos Sound System men rivais). O seu trabalho consistia basicamente em arranjar conflitos e criar qualquer tipo de distúrbio que ridiculizasse a performance dos DJ´s. Era frequente que estas festas acabassem literalmente aos tiros, sobretudo tendo em conta a habitual presença de sire Duke Reid, sound system man que costumava chegar com uma coroa dourada na cabeça e um revólver colt 45 num coldre de cowboy. Outros sound system men destacados da época eram Clement “Coxsone” Dodd (especialmente enfrentando o anterior citado) e Vincent “King” Edwards.

A ilha, como estamos a ver, mantinha uma completa dependência musical dos EUA. A cena musical norte-americana marcava os gostos musicais na Jamaica; a música que triunfava lá tinha logo sucesso na ilha. No final da década de cinquenta, esta situação vai mudar. A música negra americana dá uma volta negativa para o gosto musical dos jamaicanos. O excitante R&B já não estava na moda nos EUA, dando este estilo lugar ao Rock & Roll. Os discos negros norte-americanos suavizavam-se cada vez mais com a intenção de agradar também à audiência branca. O fio condutor dos Sound Systems, que consistia na dança, não o esqueçamos, começava a debilitar-se: as melodias duras escasseavam e o negócio começava a decair. Além disso, o componente de exclusividade que tinham os vinis no início do fenómeno Sound System perdia-se também já que começavam a surgir pessoas que vendiam na Jamaica cópias desses discos de 78 r.p.m.


Esta situação leva a que, se a ilha não recebia os ritmos desejados, eles mesmos, os jamaicanos, os iriam criar. As bases estavam já estabelecidas: Mento (a matriz da música jamaicana) e Rhythm & Blues. Futuras influências como o Jazz, Ya Ya, Calypso ou Pop britânico e norte-americano, fariam com que na década de sessenta surgisse o Ska. Algum tempo depois nasceria o seu filho, o Rocksteady, e o seu neto, o Reggae. Mas isso já é outra história.


Na actualidade, a cultura dos Sound Systems continua viva na Jamaica. O clima tropical proporciona aos jamaicanos o estilo de vida ao ar livre e à noite quase todas as brisas transportam o som dos Sound Systems por todos os cantos da ilha. O certo é que a mistura à base de música e grupos numerosos a dançar nas ruas cria uma atmosfera especial, que faz empalidecer a sensação de escutar discos solitariamente em casa. Mesmo as aldeias mais pequenas têm pelo menos dois Sound Systems. Já sabemos que um só Sound System, sem a concorrência de outro, é impensável. Os Sound Systems representaram na Jamaica, em definitivo, a primeira forma de lazer fora de casa. Uma expressão cultural de impressionante valor, surgida numa pequena, mas excitante, ilha do Caribe.

WAKE THE TOWN AND TELL THE PEOPLE!!!

Fonte: Radio Rahim
Tradução: Dr Ray Ban

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