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quinta-feira, julho 20, 2006

O adeus ao 'rei do ska' - Desmond Dekker


Morreu o “rei do ska”. Desmond Dekker, o único nome da música jamaicana a gozar de uma dimensão global ao nível de Bob Marley, contudo sem a sua carga mitológica (e consequente construção de identidade icónica, que se projecta viva nas gerações seguintes), e com uma vida pública sobretudo visível em duas épocas distintas de presença influente, uma em finais de 60, a outra dez anos depois. Foi o primeiro a levar uma canção jamaicana pura (The Israelites) ao top ten norte-americano, portas para si abertas a um mercado até então quase alheado à música da sua ilha natal. E será eternamente reconhecido como uma das mais criativas forças do ska.

Desmond Adolphus Dacres nasceu num arredor de Kingston, na Jamaica, a 16 de Julho de 1942. Órfão muito cedo, trabalhou como soldador, cantando para os colegas nas horas de pausa, o que os levou a encorajá-lo a fazer audições junto de editores locais. Assim foi, cantando em 1961 perante Coxsone Dodd (Studio One) e Duke Reid (Treasure Isle), nenhum deles particularmente impressionado com a sua performance. Melhor sorte teve nos estúdios da Beverly, quando cantou para Leslie Young, a grande estrela da editora Derrick Morgan presente na sala nesse instante decisivo.

Foi a insistência de Morgan que lhe garantiu o arranque de carreira que, mesmo assim, esperou dois anos, Leslie Young em busca da canção certa para o lançar. A canção, Honour Your Father and Mother, chegou em 1963. Êxito imediato, somando dois outros logo a seguir. Dacres muda de nome para Dekker e, em 1964, grava o decisivo single King Of Ska, com os Maytals, canção que anos depois lhe assentou que nem luva ao receber, de mérito próprio, a designação de rei do ska na imprensa britânica. Pouco depois formaria os Aces, com quem gravaria discos inesquecíveis.


A Inglaterra de finais de 60, em plena euforia mod, acolheu-o como um dos seus quando o seu single 007 (Shanty Town), que assinalava uma mudança de atitude e imagem, ali chegou, subindo ao top 20. Em 1967 visitou Londres e outras cidades inglesas numa primeira digressão, seguida fielmente por legiões de mods, que ali encontravam um novo ícone “pop” a seguir. A sua consagração internacional chegaria meses depois quando The Israelites atingiu o primeiro lugar em Inglaterra e entrou, inesperadamente, pelos lugares cimeiros da tabela de vendas americanas. O sucesso de Dekker era visível, abrindo portas das atenções para inúmeros outros jamaicanos, difundindo singles de ska pelo velho e novo mundo.A década de 70 viu-o essencialmente sediado em Inglaterra, editando alguns discos interessantes pela Trojan, mas sem a mesma visibilidade, a nova geração reggae (Bob Marley, Peter Tosh, Horace Andy) somando agora o grosso das atenções.

Todavia, na recta final da década, um surto de interesse pela redescoberta do ska, que surgiu associado às muitas manifestações de descendência da revolução punk, devolveu-o às luzes. Em pleno movimento Two Tone, patrono evidente de nomes como os Specials, The Beat, Madness ou The Selecter, Desmond Dekker assinou pela Stiff Records, Desmond Dekker voltou a ganhar notoriedade, os seus discos todavia não reflectindo a mesma luz e génio de outrora.A década de 80 voltou a silenciá-lo, os anos 90 devolvendo-o ao circuito mais vivo dos discos e concertos, sobretudo depois da curiosa experiência de colaboração com os Specials no álbum de 1995 The King Of Kings.

Nos últimos anos tinha mantido regular actividade editorial, e a sua agenda de espectáculos apontava, para o mês de Junho, uma série de concertos na Suiça, Irlanda e Polónia, aos quais se seguiriam actuações na Bélgica, Reino Unido e Alemanha, datas marcadas até meados de Novembro. Desmond Dekker morreu ontem, em sua casa, no Surerey (Reino Undio). Tinha 64 anos.

Declarações (entrevista) de Delroy Williams acerca de Desmond Dekker e Skinheads.

Weren't there a lot of Jamaican immigrants in England at that point?

Oh, yes. Because in the '60s, when Desmond had his hit, he was working the black clubs and the white clubs. But black folks are not loyal fans. If you're current, yes. But if you're not current, anymore, then that's it. But with white folks, like for instance, jazz. There was a time when jazz was a black thing, but then white folks just take it as their own. It becomes a white thing. There was a time when rock and roll was a black thing. Of course, a lot of people think white folks create rock and roll, which is amazing. You understand?

Yeah, I suppose you had first-hand experience with reggae becoming not just a white thing, but a skinhead thing.

Oh, the skinhead just totally capture, I wouldn't say "reggae," I would say "Desmond's music." The skinheads, Desmond is their god. And then they discovered Laurel Aitken. But Desmond was their god. Because we been to places where people said it was all National Front skinhead.

Did you talk to any of these people?

Oh, yes. I mean, me, personally, when we go to some places that we know that they're National Front. But they just love Desmond's music, I said, "On Saturday night they jump to reggae music, and on Sunday they go kick head in." [laughs]

Were these guys racists?

People used to say they're Nazis. But as far as Desmond was concerned, they were fans. They loved Desmond. I don't know if they like black people, but Desmond was theirs.

Was his fashion style influential? It seemed like the skinheads were copying the way he looked.

Yes, and the mods with the short pants, and the rude boys in the short pants. You know, Desmond's trousers used to be three-quarter length, above his boots. And you look at the rude boys and skinheads today, their trousers stop above the boots. That's Desmond.

Para mais informações recomendo uma visita atenta a esta página: Desmond Dekker

Fonte: Soun + Vision (Nuno Galopim)

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quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Londres 2002- Desmond Dekker, The Vibrators & outros...

Esta review-artigo já tem uns anitos, mas não deixa de ser interessante. A ambiência de Londres, os seus concertos, as lojas, os mercados, punks, skins, mods, os pubs…são sempre coisas que qualquer um de nós espera encontrar na capital Inglesa.

Passado um ano após a minha primeira visita a Londres, aquando do Festival Hollidays in the Smoke, voltei para mais uma vez ver ao vivo lendas vivas do ska e do punk-rock . A acompanhar-me foi o Rui, que já algumas semanas antes tinha ido comigo a Vigo ver Oxymoron, The Belltones e Pistol Grip!!

Partimos de Lisboa uma quinta-feira, dia 31/11/2002. O avião devia partir às 08h45, mas o sistema do aeroporto foi abaixo e houve um atraso de 2 horas mais ou menos... só não ficámos uma eternidade na fila para o check-in porque entretanto vi uma amiga minha que trabalha na TAP e nos despachou a mala. Sabem como é que é, os VIPS têm sempre estes conhecimentos... eheh! Chegámos a Londres já depois da hora do almoço, onde estavam à espera a minha namorada e uma amiga do Rui (gostas pouco gostas...), entretanto eu e o Rui ficámos sem contacto até sábado... eheh...

Carnaby Street - Londres

Na sexta fui até Carnaby Street começar a desgraça nas lojas clássicas (Cherry, Merc, Lonsdale, etc). Já ao final do dia, um cota veio ter comigo e a Teresa, perguntando se queríamos entrar num filme! O cromo estava a preparar um filme chamado “Football Factory” e precisava de pessoal skinhead, rude boy e afins para participar na filmagens... tudo à pala da minha camisola da Trojan (até o gajo da Merc perguntou onde é que comprei a camisola). Entretanto disse para aparecermos no concerto que estava a organizar no dia seguinte, quando perguntámos o que era nem queríamos acreditar... o gajo estava a organizar o concerto de Desmond Dekker and the Aces! Ainda lhe cravei uns bilhetes mas o cabrão não nos deu nada (deu-nos o poster e já gozámos), mas comprámos logo os bilhetes para nós e o Rui e ficámos a saber onde era a sala.

Carnaby Street (Anos 60)

Sábado de manhã lá conseguimos falar com o Rui e a Rita e fomos todos ao mercado de Portobello Road, onde continuámos o descalabro financeiro, desta vez com algum vinil e com uns sapatinhos Doc Marteens novos para o Rui. Depois... fomos para o Pub, claro! Guiness e mais 10 pontos carecas...

Laurel Aitken ao vivo no Club Ska - Londres

Chegou então a grande noite de 02 de Novembro de 2002, o concerto de Desmond Dekker! O sítio do concerto era um bocado longe, a norte de Londres, no The Rayners em Rayners Lane (Harrow). Quando chegámos ao sítio do concerto ficámos à toa porque não vimos logo a sala do concerto mas sim um género de Pub onde já estavam alguns grupos de carecas. Afinal a entrada era do outro lado do edifício e à porta lá estava o cromo do filme que nos reconheceu de imediato. Entrámos e ficámos abismados, um salão com decoração mesmo à antiga com umas mesas no final do salão e um toaster a meter som... parecia que estávamos numa festa ska em plenos anos 60! Por cima do palco uma grande faixa do Club Ska (que organizou o concerto).

Desmond Dekker - Ao vivo no Club Ska - 2002

A assistência, apenas entre 150 a 200 pessoas, era composta maioritariamente por skinheads com idades para cima dos 30 e 40 anos, alguns cotas mais casuals e um ou outro rude boy. Éramos quase de certeza as pessoas mais novas no concerto! Entretanto (e após algumas idas ao bar) o bacano que estava a organizar o concerto foi ao palco para fazer uma breve introdução e apresentação do Desmond Dekker, aproveitando para apresentar o grupo de portugueses que estava presente! Somos os maiores... Lá subiram então ao palco Desmond Decker and the Aces, proporcionando uma noite cheia de Ska, Rocksteady e Reggae! Foram tocadas pérolas como 007, Ah it Mek, Sabotage, You’ve got your troubles, Unity, etc... Houve tempo para tudo, até para uma versão super acelarada de King of the Ska! Para o encore ficaram mais 2 clássicos: You can get it if you really want (a música oferecida por Jimmy Cliff quando este se dedicou ao Soul) e Israelites.

Público do concerto Desmond Dekker

O som estava excelente e Desmond Dekker foi acompanhado por uns The Aces bastante competentes compostos por um gutarrista, um baterista, um baixista, um teclas, um percussionista e um gajo que não percebi muito bem o que é que estava lá a fazer ( de vez em quando cantava umas merdas ou puxava pelo público). A voz de Desmond continua um must, fazendo por diversas vezes solos com a voz, principalmente em falsete, que o caracteriza. Foi uma hora e tal de suor e dança entre tatuagens do West Ham Utd...

Desmond Dekker - Ao vivo no Club Ska - 2002

No dia seguinte o Rui regressou a Portugal, mas eu ainda iria ficar mais uma semana.
Na segunda-feira fui ter com o Pedro a Camnden Town, ao Elephant, o pub onde pára a mitra toda... juntou-se uma turma engraçada, incluindo o Biff de Varukers, pessoal de Sick on the Bus, o Vitor de Parkinsons, etc... Após alguns litros de Guiness e de combinarmos a tour de Varukers e Albert Fish em Portugal lá voltei para casa já a altas horas. Não me lembro muito bem como é que consegui encontrar o caminho de volta, mas lá cheguei inteiro!

Na quarta fomos até ao Mean Fiddler W1, onde vimos um concerto com 4 bandas Hardcore, em que os cabeça de cartaz eram os Strung Out que estavam na sua tour de apresentação do novo álbum: An American Paradox. Engraçado foi ver o Big Jay dos Bastards a distrubuir autocolantes de Lars Frederiksen and The Bastards...

No dia seguinte estava com uma dor de cabeça do caraças, por isso não fui ver o concerto dos The Restarts.
Chegou sexta-feira, dia 08 e dia de mais um grande concerto, desta vez os The Vibrators! Mais uma vez uma aventura para encontrar a sala que mais uma vez era nas traseiras de um Pub. A sala era a Wolfie’s Jukebox em Castle, relativamente pequena e com slides dos The Clash e dos Pistols na parede. Antes de Vibrators tocaram duas bandas, uma um bocado má que me fazia lembrar grunge e outra bué boa que era uma mistura de New York Dolls com Placebo! O público era na sua grande parte punks quarentões que pararam no tempo, mais propriamente em 77, o que os torna uma beca ridículos porque o cabedal já não combina muito com o tamanho actual das barrigas... enfim. Encontrámos também uma rapariga de Portugal e uns brasileiros que estavam com ela. O concerto de Vibrators foi excelente começando com Auto Fading e avançando para Kid, Slave, Tired, Troops of Tomorrow (tema imortalizado pelos Exploited), o grande hino Baby Baby, Sex Kick, Disco, Judy, etc... no encore trouxeram-nos Yeah Yeah Yeah acabando em beleza! No final veio falar comigo um skinhead polaco que já me tinha visto no Metro... gajo à maneira (claro que isto não vos interessa nada, mas lembrei-me).

Punk a fazer publicidade a botas em Camden Town

No dia seguinte havia concerto de Eddie and the Hot Rods, mas infelismente não tive oportunidade de ir ver o circo....Apanhei o avião de regresso na manhã de domingo, dia 10. O avião partia bastante cedo, por isso tive que apanhar um táxi para chegar a horas do check-in. Quando cheguei ao balcão dizem-me que o meu bilhete foi cancelado! Lá tive que explicar que no dia do meu voo o sistema berrou, mas que confirmei o voo quando cheguei a Londres. Nada de mais e um regresso calmo até Portugal onde cheguei ainda de manhã...

Cheers!

Fonte:Leitor do Cropnº1

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