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segunda-feira, novembro 05, 2007

Uma vez 'skins', 'skins' para sempre (Courrier Internacional)

A edição nº133 do Courrier Internacional, revista semanal de cariz política-social-cultural, de 19 de Outubro, trás um extenso artigo dedicado ao movimento skinhead, da autoria do jornalista Simon Garfield. Colocamos aqui o scan, em quatro partes, desse artigo, e alguns excertos do mesmo. Como podem ver as imagens que ilustram este trabalho foram retiradas do filme 'This is England'. Este filme, do realizador Shane Meadows, a exposição de fotografias de skinheads de início dos anos 80, de Gavin Watson e a edição e reedição de uma série de livros que abordam a temática skinhead, vieram renovar, em Inglaterra, e em outros paises, o interesse por esta contra-cultura 'marginal'. Como escrevem no segundo parágrafo: 'O perigo 'skin' está de volta, mais marginal e menos arrependido do que nunca'. Na nossa opinião este artigo não está mau de todo. As declarações do crítico Dick Hebdige, autor de um ensaio malicioso sobre a contra-cultura skinhead, é que deixam um pouco a desejar e, na nossa opinião recaem exageradamente sobre a vertente política extremista. Fica também o apontamento de que a tradução, para o português, deste artigo deixa um pouco a desejar. De qualquer forma, apesar de algumas incorreções da praxe, tipicos das 'elites' de analistas, este trabalho traz 'informação fresca' acerca dos skinheads.

Para ficarem com uma ideia do que podem encontrar neste trabalho deixamo-vos com algumas transcrições do mesmo. 'No fim dos anos 1960 e no início dos anos 1980, o Reino Unido desenvolveu uma cultura de juventude de tal modo marcante na sua imagética e ameaçadora na sua atitude que ainda nos faz sentir vergonha. Botas cardadas, calças de ganga com os bolsos traseiros deformados por pentes pontiagudos de metal, assim é o aspecto visual do skinhead. O terror nas estações de metro, nos estádios de futebol ou na esquina da rua assenta totalmente na provocação e na intimidação. Qualquer moda é uma questão de dinheiro, humilhação, pertença e demarcação. Desde que há skinheads também pode ser a expressão de uma ameaça'

'De onde vem este código de honra? Durante a II Guerra Mundial, os marines eram apelidados 'skinheads', mas o termo designa, sobretudo, alguns jovens britânicos do fim dos anos 1960. O «h» não se pronuncia e as outras designações - «peanuts» (amendoins), «cropheads» (cabeças rapadas», «boiled eggs» (ovos cozidos) e «skulls» (crâneos) - cairam em desuso. O estilo dos skinheads, com camisas de quadrados Ben Sherman, Levi's com suspensórios, Doc Martens, (penteado) «cauda de rabo» e minissaia para as raparigas inspira-se directamente nos últimos «mods» (modernistas, movimento musical e estilista do final da dévada de 1960, personalizado sobretudo pelos The Who. Irmãos mais novos dos «mods», os skinheads radicalizam o seu visual e invadem os estádios de futebol com as suas armas de fabrico caseiro. Adoptam as anfetaminas, elemento principal das noites em branco «mods», misturadas com canábis e solventes. A sua música de eleição corresponde à imagem do seu estilo de vestuário: a anos-luz dos «hippies». Os skinheads usurpam o repertório jamaicano e adoptam a preferência dos «rude boys» (delinquentes jamaicanos dos anos 1960) pelo «bluebeat» e pelo «ska». Mas as concentrações em Brighton e Southend levantam uma questão: contra quem estão eles ao certo, para lá da autoridade em geral? No apogeu do «glam rock» («glamour rock», de que David Bowie foi uma das figuras principais), em 1972, os skinheads estão fora de jogo'

'O título do filme de Meadow faz referência a um ensaio malicioso do crítico Dick Hebdige. Com o título completo «This is England and they don´t live here» (Isto é a Inglaterra e eles não vivem cá), é uma citação de um skin de Londres Oriental- cahamdo Mickey, que começa com a frase clássica: «Ouçam bem o que vos digo: tenho muitos amigos de cor e eles são boas pessoas. Mas têm a sua própria cultura. Os paquistaneses têm uma cultura com vários milhares de anos. Mas para onde foi a nossa cultura? Para onde foi a cultura britânica'

Segundo declarações de Gavin Watson (skinhead desde 1979, com 14 anos de idade), agora com 41 anos, é uma das testemunhas mais fiáveis dessa época: 'Julgo que não havia mais de 30 'skins' nazis em Londres. Mas meteram-nos a todos no mesmo saco. Alguns jovens skinheads deixaram-se recrutar pelo BNP (Partido Nacional Britânico), mas a maioria estava-se borrifando para a política. Os skins limitavam-se a ir onde havia outros skins. E quando votavam, votavam sobretudo nos trabalhistas'

'Quando os skinheads começaram a ter os cabelos compridos, Watson apontou a sua objectiva para o Summer of Love (cultura hippie), mas sabe que não será lembrado pelas suas fotos de festas «rave». Dedica-se, agora, a fotografar os skins muçulmanos da Malásia. «Garanto-vos que existem. Pergunto-me frequentemente como é que o nosso pequeno bando pôde chegar a isto», diz Watson, que há pouco fotografou alguns jovens skins em Southend (bairro de Londres). Estes, porém, parecem sobretudo manequins, versão asséptica dos seus modelos. São no máximo, «suedheads». «O que antes foi um estilo tornou-se um mito. E o mito depressa se tornou mais convicente do que a realidade», conclui Watson'

Para terminar aqui ficam as declarações, que o autor deste artigo foi retirar ao site skinheadnation.com, de Pan, 'um skinhead dos nossos dias': 'Ser skinhead é um modo de vida, uma verdadeira cultura. É ter orgulho no meu aspecto, trabalhar para sobreviver e ganhar tudo o que possuo. Os skinheads são a minha segunda família, os meus irmãos da rua. É também ser fiel aos valores que adquiri, ao código de honra. É a mais autêntica das culturas, porque são pessoas verdadeiras, os trabalhadores, os pobres. Vistos do exterior, não passamos da escória da Humanidade, mas sabemos que isso não é verdade. Sabemos que encarnamos uma das grandes culturas juvenis de todos os tempos e ninguém nos pode tirar isso. Somos verdadeiramente nós contra o resto do mundo, e sabemo-lo bem demais, o resto do mundo não tem qualquer hipótese'. Mais palavras para quê?

Para quem estiver interessado em ler o artigo na sua totalidade é só fazer o download do mesmo em PDF - Uma vez 'skins', 'skins' para sempre (Courrier Internacional) - PDF

Fonte: Courrier Internacional

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terça-feira, julho 10, 2007

This Is England - Banda Sonora

Tens aqui a oportunidade de descarregar a banda sonora de um dos melhores filmes, que aborda a cultura skinhead, realizado nos últimos anos. Ao contrário do que muitos pensam as músicas deste disco não são exclusivamente dedicadas à temática skinhead. A banda sonora do 'This Is England' é composta por clássicos do reggae, grandes temas da década de 80, punk rock e música italiana. Em seguida deixamos-te a lista de temas que compóem esta obra e o link para gravares o disco.

01-Toots & The Maytals – '54-46 was my number'
02-Dexys Midnight Runners – 'Come on Eileen'
03-Soft Cell – 'Tainted love'
04-Underpass/flares (movie dialogue)
05-Nicole Gravenhurst
06-Cynth/Dad (movie dialogue)
07-Al Barry & The Cimarons – 'Morning sun'
08-Shoe shop (movie dialogue)
09-Toots & The Maytals – 'Louie Louie'
10-Toots & The Maytals – 'Pressure drop'
11-Hair in Cafe (movie dialogue)
12-The Specials – 'Do the dog'
13-Ludovico Einaudi - 'Ritornare'
14-This is England (movie dialogue)
15-The Upsetters – 'Return of Django'
16-Uk Subs – 'Warhead'
17-Ludovico Einaudi - 'Fuori dal mondo'
18-Strawberry Switchblade - 'Since yesterday'
19-Tits (movie dialogue)
20-Percy Sledge - 'The dark end of the street'
21-Ludovico Einaudi - 'Oltremare'
22-Clayhill - 'Please please please let me get what I want'
23-Ludovico Einaudi - 'Dietro casa'
24-Gavin Clark - 'Never seen the sea'

Password: drunksongs.blogspot.com

Fonte: Sound of The Streets (Blog)

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sábado, abril 21, 2007

This is England, um filme de Shane Meadows

De Inglaterra chega-nos esta pérola do cinema, a estrear em Abril, mas que pode ser apreciada desde já, com um bocadinho de paciência e procura na internet.


This is England relata a história de um jovem de onze anos, na Inglaterra de 1983, que encontra num grupo de skinheads, liderados pelo caricato Woody, a família perfeita para contrabalançar a sua solidão, resultante da morte do pai na guerra das Falklands e do constante ataque dos seus colegas de escola à sua maneira de vestir (calças à boca-de-sino já não são toleradas).

O filme foi escrito e largamente influenciado pela experiência do realizador Shane Meadows, o que o torna um fiel retrato do país no virar da década de setenta para oitenta, um período difícil para os ingleses, encurralados entre uma guerra externa, nas Falklands, e uma guerra interna, caracterizada pelo crescente desemprego e uma visão cinzenta do futuro, sob a mão dura de Margaret Thatcher.

É neste ambiente desolador que Shaun, a personagem principal, nos é apresentada, após imagens de cubos mágicos, clips dos Duran Duran ou de O Justiceiro, acompanhadas pela música dos Toots & The Maytals.

Aos poucos, a sua convivência com o grupo de skinheads torna-se numa rica construção de identidade social, cultural e sexual. Shaun aprende a apreciar a roupa, a música, as miúdas, o companheirismo, tornando-se num verdadeiro skin.

Tudo corre bem por uns tempos até que surge Combo, após três anos de prisão, cheio de raiva, pronto a abraçar e divulgar os ideais racistas e nacionalistas dentro do grupo de Woody.

Combo provoca uma desintegração que vai ser uma prova-de-fogo não só para Shaun, mas para todos os envolvidos. Quando Combo pergunta a Milky, um dos skins do gang de Woody, de origem jamaicana, se ele se considera inglês ou jamaicano, todos nós nos devemos perguntar até que ponto o desejo de integração num grupo nos pode fazer esquecer as raízes.


Qualquer skin com mais de vinte e cinco anos vai conseguir encontrar referências de sobra à sua própria vivência nos anos oitenta (especialmente tendo em conta que certas coisas chegaram tardiamente a Portugal). Para os mais jovens, vejam com atenção, porque este filme retrata a verdadeira essência do que significa ser skinhead.

Fonte: Devotchka nº1

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