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terça-feira, fevereiro 14, 2006

MOLODOI - História

Depois do fim dos Bérurier Noir em 1989, François, um dos dois membros do núcleo duro desta banda, pensava, à altura, afastar-se da cena rock. No entanto, o encontro com Nanouuche e Spirou, dois irmãos provenientes de Dijon, fá-lo mudar de ideias... Nasce assim Molodoi em 1990. O nome do grupo reporta-nos às ambiências do filme de Stanley Kubrick ‘A Clockwork Orange’ e, na linguagem desta película, significa ‘Juventude’.

A este trio-base de voz-guitarra-baixo, vem juntar-se Pascal Kung-Fu, saxofonista, velho conhecido de François e ex-Tolbiac´s Toads, que participa em 3 temas do primeiro álbum ‘Irrécupérables’. A caixa de ritmos é cedo substituída por um baterista real, também ele originário da Bourgogne, Nino, representando a saída do mini-LP ‘En Avant !’ não só o segundo trabalho da banda, mas também o reunir do line-up que daria forma aos Molodoi nos anos que se seguiriam:

François -voz
Spirou -guitarra
Nanouche -baixo
Pascal Kung-Fu -saxofone
Nino -bateria

Ao mesmo tempo, François cria a distribuidora Division Nada, no seio da célebre New Rose, na qual agrupa diversos grupos Punk e Ska franceses e estrangeiros e que lançará, entre outros, a compilação ‘Oi! ‘N’ Ska Christmas Party’.

Em 1991, o terceiro álbum da banda consagra definitivamente a banda no panorama Oi! Francês; ‘Dragon Libre’ confirma o potencial da banda através de temas que são autênticos hinos à juventude e às temáticas queridas a François, religiosas e políticas. As tournés que se seguem ao lançamento deste disco são um sucesso imenso e confirmam a banda como o porta estandarte da juventude rebelde e consciente francesa.
O período que se segue após o lançamento de ‘Dragon Libre’, marca também a saída da casa New Rose, que, cada vez mais, se afastava do modelo de editora independente, mas não conseguindo, no entanto, oferecer as regalias e vantagens de uma grande distribuidora; Molodoi passa, então, a integrar o grupo Sony, através da sua subsidiária In Fact!.

Esta mudança ir-se-á traduzir numa promoção mais efectiva e menos underground do seu novo trabalho, intitulado ‘Royaume de Jeunesse’; desta forma, o single ‘La Boxe de l’Ombre’ passa frequentemente nas rádios do hexágono, o primeiro mega-sucesso do grupo, um tema bem elaborado, mas que fugia ao punk enérgico que caracteriza o grupo.

Logo de seguida os Molodoi oferecem-nos uma amostra do poder da banda ao vivo, o registo de um espectáculo na sala Florida, em Agen e publicado sob o título ‘On Est Là!’, tema que simboliza o espírito de comunhão e de união da banda com o seu público. Mais do que um best-of ao vivo, a banda imortaliza a sua história e sua postura numa grande festa, sentimento comum às suas actuações ao vivo.
Entretanto, Nino abandona o grupo, sendo substituído por Vincent ‘Fin de Siécle’; este último tem uma passagem meteórica pela banda, vindo a ser, também, substituído por Fred, que será o baterista dos Molodoi até ao final da banda.

O último álbum de originais da banda, ‘Tango Massaï’ é lançado durante o ano de 1996; merecedor de uma produção ao cuidado de David Ruffy (ex-Ruts) e de Seamus (Madness), é o trabalho mais elaborado do grupo, mantendo, no entanto, intacto o espírito e filosofia que identificam o nome Molodoi. Um video-clip do single ‘Ame Errante’, realizado por Jean-Michel Bensoussan tem destaque na programação musical dos canais TV Franceses. Pouco tempo depois, em finais de 1996, a banda separa-se, por motivos diversos, reaparecendo em 1999 para lançar o álbum póstumo ‘Rebelle Anonyme’, que reúne alguns temas inéditos e outros que se tornaram mais difíceis de encontrar.

Resta apenas o nosso obrigado à banda que reacendeu a chama da energia combativa, da insubmissão, da revolta, caminhando nos trilhos de bandas como Sham 69, Cocney REejects, Blitz, na tradição Britânica, ou os Franceses La Souris Deglinguée, R.A.S. ou Tolbiac’s Toads.

É certo que muito ficou por ser dito, tanto na análise da banda, como entidade criadora de um pensamento orgânico próprio, bem como no dissecar de suas obras. Mas, apresentados os Molodoi, deixamos esse trabalho aos leitores do Crop nº1...

Vent D'Est (Vent Divin) in Dragon Libre'

La liberté n’se monnaie pas
Elle se prend les armes à la main
Les peuples n’ont plus peur de ça
Rien n’arrêtera ce Vent Divin !
Est ! Ouest !
Dans les coins les plus reculés
Le parti unique peut trembler
Les dictateurs patentés
Savent que leurs jours sont comptés
Est ! Ouest !
Lasse toi aller à ce vent fou
Qui soufflera bientôt partout
Al’Est, à l’Ouest, au Nord, au Sud
Dans les campagnes ou dans la rue !
Est ! Ouest !
( chouers de la Liberté )
Est !

MOLODOI WEBSITE

MOLODOI SITE

Fonte: Leitor do Crop nº1

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MOLODOI - Nome mágico ? + Entrevista

ASOCIAL

…Ni mort, ni rouge - UNITED !!

Molodoi, nome mágico?

A banda, infelizmente, acabou por se tornar famosa apenas no espaço da francofonia, nomeadamente França e Quebeque, pelo que, para muitos, pouco quererá dizer...
Sham 69 Franceses? Nunca foram eles próprios que reivindicaram o título, mas sim uma imprensa ávida de etiquetar e delirante com o fenómeno de juventude (tal como o nome indica) que o grupo de François criou. Lesto a distanciar-se dos Bérurier Noir, assumindo a sua maioridade musical-criativa, François e Cª. são, durante a sua existência, os porta-bandeira dos jovens das grandes urbes francesas e do mundo, respondendo com seus cânticos às ansiedades, receios e angústias destes, dando forma aos sentimentos duma geração à procura de si própria.

Os Molodoi cantam ao desespero dos jovens franceses, romenos, peruanos, chineses, vietnamitas, franco-canadianos, massaï, à valentia de heróis e homens-simples de todo o planeta, à unidade contra a opressão e o totalitarismo (de todas as cores), aos marginais, à liberdade e à revolta...

Serão, então, os Molodoi a versão Sham 69 à escala mundial ? Realmente, os temas queridos a Pursey ressuscitam em François, com a peguena-grande diferença que este último não os confina à escala de seu país, antes transforma-os para as realidades de outros, internacionalizando o eterno slogan ‘...If The Kids Are United...’ nos inesquecíveis ‘Royaume de Jeunesse’, ‘Molodoï’ ou ‘Chouers de Fidelité’; numa época em que as ditas bandas ‘de protesto, revolucionárias, ou anti-sistema’ deixam de fazer tremer as fundações do establishment, tresandando a fashion trip burguesa da MTV, os Molodoi esbanjam honestidade e uma energia emotiva que não pode ser nunca clonada, pois é real. Os ambientes e mundos aos quais François nos transporta são viagens verdadeiras, podemos sentir os cheiros, o frio e calor, as ruas e caminhos, os operários e as fábricas, o betão e as florestas, os animais e as montanhas, os estádios de futebol... a verdade dura e crua, sem distanciamentos ou fabulações, porque é fruto da experiência.

Em 1996, numa entrevista cedida a um periódico do Quebeque, antecipando uma série de concertos pela província Canadiana, François afirmava:

...ser Skin? Significa acreditar neste movimento, é um todo, é escutar Trojan, Ska e Oi!...é uma consciência, não é ter umas 501 e os badges certos...’

'...violência? Não é através da violência que se atingem objectivos. Energia sim, violência gratuita, não...’

'... RAC? A expressão é boa, mas atrás dela vêm muitos grupos extremistas...’

‘...rejeito todas as zines politizadas, quer sejam Blood & Honour ou Red; fazes política se quiseres, não utilizas uma imagem ou movimento juvenil para o fazeres...’

‘...tento estabelecer pontos de ligação entre as civilizações do extremo-oriente e a ocidental. Lá, existem muitas coisas que evoluem em contradição, fruto do paradoxo criado pela mistura dos modelos capitalista e marxista...’

‘...tenho um fascínio pela marginalidade. Numa minoria, há muita revolta a denunciar...’

‘...cada povo deve guardar a sua identidade própria, aceitando, no entanto, partilhar culturalmente com os outros...’

‘...quando se viveu e sentiu profundamente a explosão do Oi!, nos anos 80-81, tudo o que veio a seguir parecia pouco...e o que admiro no Oi!, É que fala dos problemas dos jovens, de gente que vive algo e consegue exprimi-lo em suas canções, cantando a realidade...’

‘...(sobre o interesse dos jovens no Oi!) é verdade que não é conhecido de muitos, devido a não ser mediatizado, não é levado em conta...é facilmente marginalizado...’

‘...( sobre o facto de tocarem ao vivo ‘Skinhead Moonstomp’ dos Symarip e o dedicarem aos Skins presentes em delírio ) O que é que tem ? Desde que as pessoas venham aos espectáculos para fazer a festa... quando me disserem que não querem Skins nas salas, não toco...'

A ambição do nome Molodoi é, na realidade, uma fasquia muito alta que a banda propõe ultrapassar. Megalomania ou paixão ? Sem dúvida, uma paixão sem limites pela magia da chama de ser jovem, pela liberdade, por todos os gritos de revolta...
Aos tempos sem ilusões e plenos de incertezas, as vozes das novas gerações, respondem com a descoberta da esperança em faróis distantes, em chamamentos de guerreiros do rock, alertas lançados de palcos-campos de batalha, denunciando um mundo onde ninguém está inocente; de prisões, guetos e ódios , de cidades em abandono, de uma juventude esquecida - Geração Destruição...

Fonte: Leitor do Crop nº1

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