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quinta-feira, janeiro 11, 2007

Reviews - The Sex Machines, The Upsessions, Contratempos...

The Sex Machines – ‘Fight Like Cats And Dogs’ – Digipack CD – Sunny Bastards (2006)

Fecha os olhos e mete o som bem alto. Aposto que vais pensar estar a ouvir os Vanilla Muffins (VM). Na realidade são os The Sexmachines que contam com o vocalista / guitarrista, Colin, da famosa banda suíça (VM). Para quem apreciava o Street Sugar Oi! dos VM este álbum vai matar saudades. Também de regresso está o avô do Oi!, Frankie Flame (Superyob), que interpreta aqui, com o seu Hammond, o tema ‘No Feelings’ dos Sex Pistols. Contas feitas tens direito a 12 temas de Power Punk, Sugar Oi! muito melódico. Excelentes vocais de Colin’s. Bons solos de guitarra e refrões muito singalong. Gravado no famoso estúdio-RMS, de Captain Sensible’s, em Londres, este disco vem provar que o espírito dos anos 80 e o ‘Sugar Oi!’ estão bem vivos. Todo o disco é bom, mas temas como: ‘Ready, Steady, Go’, ‘Here i go Again’, ‘The Upcoming Star’, ‘Highschool Over’ e ‘No Feelings’ ficam logo no ouvido à primeira. No fim, escondida, podes ainda encontrar uma cover de um tema de Rod Stwart. É caso para dizer: Sugar Oi! Will Win!


The Sex Machines - Site oficial da banda / Sunny Bastards - Mais informação da banda.


Contratempos – Algures, no Meio de Nada’ – Digipack CD – Edição de autor (2005)

Vamos por as coisas assim... este é, como a própria banda afirma, o primeiro CD de Ska, Rocksteday tradicional gravado em Portugal. E não é mentira nenhuma. Os 12 temas que vais encontrar neste CD são mesmo Ska à antiga. Este é um trabalho para tradicionalistas que os mais recentes apreciadores do ska acelerado deviam ter em conta nas suas aquisições skataliticas. Secção rítmica 100% afinada, com órgão a ajudar. Voz, e por vezes o som, a dar para o Swing. Todo os disco é bom. Os temas cantados em português estão em grande maioria, mas não sei porquê os dois temas em inglês são os que sobressaem mais. Posso mesmo dizer que os temas ‘Complexity of Discourse’ e ‘Remember Your Colors’, o primeiro com uma melodia muito original e viciosa, e o segundo com a voz muito soul e os coros ao de leve, têm classe para fazer frente a grandes temas do ska mundial da actualidade. Resumindo e concluindo, foi uma excelente estreia para o ska, rocksteady nacional e para os Contratempos. A porta está aberta. Venham mais discos destes para enriquecer o panorama nacional.


The Upsessions – ‘The New Heavyweight Champion’ – Sampler EP – Moonska World (2006)

Reggae Fever directamente do coração da Europa. Os holandeses The Upsessions sabem o que fazem. Early Skinhead Reggae ao mais alto nível. As vozes soul, o ritmo, o excelente som de órgão, tudo muito bem arranjadinho. Estes dutch boys esmeraram-se! O slamper EP é composto por três temas: ‘Why You Done me Wrong’, ‘Reggae Fever’ e ‘Early Get Off’. Qual deles o melhor? Todos! Agora só há que esperar que o CD completo, e de preferência o vinil, chegue às lojas e às distribuidoras. O sucesso é certo. Bandas destas merecem o nosso total apoio.

The Upsessions - Why You Done me Wrong (MP3)

The Upsessions - Site oficial da banda

Mummy’s Darlings – ‘Stormtroopers of Rock’n’Roll!’ – CD – Sunny Bastards (2006)

Mais uma banda alemã com aquele som característico do Oi! germânico. Voz dura e contundente, acompanhada por coros melódicos, saxofone, ritmos Oi!, Rock e umas pitadas de Ska. 12 temas bem tocados mas um pouco iguais uns aos outros. Letras dedicadas ao companheirismo, futebol, festas, unidade...o típico orgulho skinhead. De destacar o primeiro e o sexto temas, ‘Burn Baby Burn’ e ‘Bayernland’, respectivamente. O insert que acompanha o CD está muito bom, com as letras, fotos e publicidade. Na minha opinião não é dos melhores lançamentos da Sunny Bastard, mas não deixa de ser uma boa estreia para esta banda alemã 100% skinhead rock’n’roll.

Mummy's Darlings - Site oficial da banda / Mummy's Darlings no Myspace

Fonte: Sunny Bastards / Moonskaworld / Contratempos

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sexta-feira, dezembro 29, 2006

The Aggrolites - Ao vivo em Madrid

THE AGGROLITES @ Gruta 77 (Madrid) - Domingo, 1 de Outubro de 2006 (Reportagem)

Com o intuito de ver The Aggrolites saímos de Lisboa 4 carecas na noite anterior ao concerto, tendo uma longa viagem de autocarro pelo caminho. Para tornar tudo mais agradável alguém decide vomitar a meio da viagem, pelo que a paragem posterior ao sucedido foi um pouco mais prolongada.
Chegámos a Madrid por volta das 05h30, 06h30 na hora local. Próximo passo: encontrar um hostal para passar a noite. A tarefa tornou-se complicada pois estava tudo cheio e não havia maneira de encontrarmos um sítio com vagas. Por volta das 09h encontrámos finalmente um hostal com 2 quartos duplos, mas que só ficariam vagos a partir do meio-dia. Deixámos as malas com a simpática proprietária e às 09h30 já estávamos numa esplanada a mamar canecas! Fartos da cerveja espanhola estávamos já a entrar em desespero no nosso Rally Tascas quando pelas 11h descobrimos um Irish Pub! Um brilho surgiu nos nossos olhos e tomámos o bar de assalto, sendo que pelo meio-dia já estávamos com os copos! Muitas pints depois alguém nos chamou à razão e por volta das 13h fomos dormir um pouco e tomar uma chuveirada.


Pelo final da tarde arrancámos então para o local do concerto. Pelo caminho um gelado e a constatação de que as ruas estavam vazias. Razão? É dia de derby Real-Atlético. Chegámos à sala pelas 20h para levantar os bilhetes reservados. Ruas vazias e aspecto desolador. Procurámos uma tasca para jantar qualquer coisa e preparar o estômago para uma noite “Champions League”. Encontrámos uma nas redondezas onde devorámos umas tortillas e começámos o aquecimento.
Já pelas 21h voltámos ao local do crime, já alguns Skinheads, Rude Boys e Casuals se juntavam pelas imediações. Algumas caras conhecidas de outros concertos e festivais vêm ao nosso encontro. Põe-se a conversa em dia e ruma-se ao bar mais perto para também pôr os copos em dia. Seguimos então para o concerto uma hora mais tarde, já com a sala composta, a qual ficaria lotada pouco depois.

Já fora de horas sobem ao palco os The Aggrolites. Descrever a melhor banda Skinhead Reggae da actualidade ao vivo é difícil. É como se os Sick Of It All tocassem Reggae, tal é a energia e o empenho que o colectivo tem. O Skinhead Reggae regado com muito Soul e algum Ska invadiu a sala para deleite de todos os presentes. Todos os clássicos dos 2 álbuns “Dirty Reggae” e “The Aggrolites” foram revisitados, pérolas como “Pop the Trunk”, “Countryman Fiddle” ou “Someday” foram tocadas e cantadas por todos como se não houvesse amanhã. No encore um medley de clássicos do Ska e Reggae numa base do “Skinhead Moonstomp” dos Symarip.


The Aggrolites - Skinhead Moonstomp, Wet Dreams & Banana

Acaba o concerto e o suor pinga em todos os rostos. Os DJs de serviço esmeram-se ao passar o melhor Ska/Rocksteady/Reggae e o ambiente torna-se realmente de festa e confraternização. Os copos de 1L de cerveja escorregam como água e é entre mais um pedido que conhecemos Scott Abels, baterista de serviço que desempenha também essa função em Lars Frederikson & The Bastards e já o fez em Hepcat. Uma agradável conversa toma forma e acabamos por conhecer o resto da banda: Brian Dixon (guitarra), J Bonner (baixo), Jesse Wagner (voz e guitarra) e Roger Rivas (órgão). A festa continuou pela madrugada dentro sempre regada com muita cerveja e lá para as 05h despedimo-nos do pessoal e dos The Aggrolites!

Arrastamo-nos então para uma loja de conveniência relativamente perto do hostal, onde comemos como uns animais. Já a manhã rompia quando entrámos nos quartos. Antes de morrer na cama uma mijadela do 4º andar para o meio da rua!

Dormimos um pouco e acordámos sobressaltados! Tínhamos uma hora para nos preparar e meter a caminho! Claro que a ponta final foi em corrida e apanhámos o autocarro já pronto a arrancar. A viagem de regresso como é óbvio ninguém se lembra pois foi feita a dormir. Mais uma goleada da selecção Portuguesa em terras espanholas…

Fonte: Dr Ray Ban

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quarta-feira, abril 26, 2006

Klasse Kriminale - Crítica e fotos



Klasse Kriminale no Lótus Bar (Cascais)

Conseguem imaginar uma noite EXCELENTE, onde todas as bandas deram um GRANDE concerto, com casa cheia, ambiente ESPECTACULAR, com boa qualidade de som, música fixe, pessoal sempre em festa, onde tudo corre bem, sem nenhum inconveniente? Pois foi isso mesmo que aconteceu no passado dia 21 de abril no Lótus...


Os italianos visitavam o nosso país pela primeira vez, em promoção do último disco desta mítica banda, com o título homónimo (gravado em 2005).

Essa era a ‘chamada’ para tanta gente comparecer no bar de Cascais, para além de se comprovar o bom momento das bandas portuguesas intervenientes nesta magnífica noite...


...O bar era um corropio, o pessoal do Lótus mal dava conta do recado...

E passada pouco mais de meia-hora, eis que entram os Klasse Kriminale em palco! Foi uma autêntica explosão, começam logo aos saltos, o vocalista Marco pede agitação e tudo dispara...

A postura da banda faz lembrar uns Clash da fase inicial (especialmente com movimentadas ‘passadas’ do guitarrista a fazer lembrar Mick Jones) e sonoramente também há uma aproximação. Os temas clássicos dos Klasse eram cantados em plenos pulmões e a agitada movimentação na frente do palco não deixava desmentir... estávamos presentes naquela que iria ser uma noite memorável!


“I ragazzi sono innocenti” é sem dúvida um grande tema, mas o público que parecia conhecer todo o reportório (especialmente demonstrado nas várias vezes que Marco passava o microfone para o pessoal) dava o tudo-por-tudo, saltando, gritando, instalando o verdadeiro sentido do ‘pogo’ na sala...

Os temas do último trabalho estavam na ’ponta da língua’, com especial destaque para “Loro”, tema bravio com uma intromissão de “Police & Thieves” pelo meio (o tal espectro The Clash). “Anarchia Liberta!” levava tudo ao rubro, numa amálgama de pessoal junto ao vocalista a cantar...

Claro que os hinos da década de 80 também foram revisitados. ‘Birra, Donne e Chiminé’, ‘Faccia Faccia’ e o mítico ‘Oi! Fatti Una Rissata’ foram acompanhadas pelo público como se de um jogo de futebol se tratasse…

Marco é sem dúvida um excelente performer, ele grita, pede agitação, incita todos para palmas, salta para o meio do público e vagueia no espaço à frente do palco, canta em jeito de agitador, uma actuação em cheio, acreditem...

Tudo acaba em apoteose, com manifesto agrado do público, aclamando a banda sonoramente... Há um regresso ‘obrigatório’ após uma pausa de dois minutos e... volta tudo outra vez!!! Saltos, empurrões (sempre de agitação plausível, sem cair na estupidez), gritos, braços no ar, enfim, parecia que tinha começado tudo outra vez. Os Klasse Kriminale bem sorriam uns para os outros...

O final decisivo aparece e Marco está super-contente, agradado com uma recepção destas... obviamente. A banda italiana mostrou a sua KLASSE!!! Fazem-me sinal que não há novo regresso da banda e coloco no som um tema em jeito de confirmação... “viva Klasse Kriminale” ecoava com o pessoal em coros...

Pouco depois Marco aproxima-se de mim e referencia-me que gostaram bastante do ambiente em Portugal... Tinham que seguir para Madrid para outra actuação em menos de 24 horas, mas prometeu voltar ao nosso país com os Klasse Kriminale, “sabem os nossos contactos, ficámos cheios de vontade de vir... público estupendo...” Extremamente simpático o vocalista de 43 anos, que deixou todos satisfeitos com esta ‘visita’...

A banca montada do imenso merchandising dos Klasse Kriminale (que incluía CD’s, vinil, posters, t-shirt’s, cachecóis, fanzines, pin’s e muito mais) era ‘lentamente’ desmontada, pois o pessoal fazia questão de tirar (as tão frequentes actualmente) fotos com membros da banda...

Esta review, na sua totalidade, foi publicada no Billy News. Aqui trancrevemos, com alguns cortes e acrescentos, apenas a parte relativa aos Klasse Krimnale.

Fonte: Billy News / Zona Punk

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quarta-feira, março 08, 2006

Reviews Oi! e Rock


The Vendetta - ‘Terror Nation’ - Brutus Records - 2006 - Este disco dos italianos The Vendetta irá surpreender todos aqueles que gostam de Oi! com muitas influências de rock pesado e até algum metal. A fonte StreetPunk está lá, mas apenas como uma das influências para este disco. A voz, muito perceptível e dura, e as guitarras bem rock-metal, são o que mais sobressaem neste registo. A qualidade sonoro é boa e o som bastante equilibrado. Este trabalho é composto por oito temas onde os meus preferidos são os dois primeiros: ‘Crushed’ e ‘Brutalizer’. As letras abordam temas como a guerra, a raiva, a agressão e o suicídio. A banda sonora condiz com as temas. Um disco para quem gosta de Oi! duro e brutal.

Pobel & Gesocks - ‘Punk! - Die Raritaten!’ - Sunny Bastards - 2006 - O que dizer destes loucos alemães? StreetPunk, Oi! como só eles sabem fazer. Ou antes como eles afirmam ‘Oi!, Punk para pervertidos’. Este disco é uma colecção de raridades da banda, mais temas nunca antes editados e faixas super-difíceis de arranjar. Além de excelentes temas da banda, vais encontrar covers de Motorhead, Misfits, Daily Terror, Johnny Cash, entre outros. Os dezoito temas que compõem este disco incluem ainda novas músicas, o mais recente single com alguns dos seus maiores êxitos como: "Punk", "Kopf Zu" e "1000 gute Gründe"!!! e ainda uma ‘velhinha’ demo tape, remastirizada, da altura em que a banda dava pelo nome de Becks Pistols. O som é óptimo para festas e concertos. Uma mistura de punk e Oi! com excelentes coros e refrões ao melhor estilo futeboleiro. Ouçam o primeiro tema e percebam o que digo. È quase impossível não gostar desta banda. A voz do carismático vocalista e os coros super melódicos, acompanhados por excelentes ritmos de guitarra, baixo e bateria, são a marca desta banda.


Condemned 84
- ‘No One Likes us… We Don’t Care’ - Hit Records - 2004 - Último disco de originais desta super famosa banda de Oi! inglesa. E que bom disco! Na minha opinião este disco aproxima-se muito, tanto a nível sonoro, como de letras, do ‘velhinho’ clássico ‘Face The Agression’. Ou seja, estamos na presença de mais um clássico do Oi! puro e duro. Os antigos apreciadores do C.84 não se vão arrepender de ouvir este disco. A voz potente e ‘arranhada’, o som compassado e duro, continuam a marcar o som destes veteranos do Oi! Um total de onze temas, onde é difícil escolher qual o melhor. Pessoalmente gosto muito do quinto tema ‘Remember The New Breed (We’ve Gotta Live on)’e dos dois últimos ‘Never Surrender’ e ‘We’re Gonna Have Our Day’. As letras abordam temas como a violência, injustiças, patriotismo e a juventude dos nossos dias. Fica aqui a informação de que este disco, para além da edição em CD, teve ainda uma edição em vinil e outra em Picture Disc.


Bovver Boys
- ‘Welcome to Borderland’ - Sunny Bastards - 2005 - Mais uma grande surpresa! Um excelente disco de Oi! melódico é o que nos apresentam estes Oi!sters alemães. Uma mistura de Oi! britânico dos anos 80, com o melhor do Oi! alemão da actualidade. 12 temas muito bem produzidos, cantados em inglês. Voz muito clara. A nível instrumental os Bovver Boys não se ficam pelo típico ritmo punk/Oi! e a guitarra por vezes dá-nos uns solos que valorizam ainda mais o seu som. Se gostas de bandas como Cock Sparrer, 4 Skins, Last Resort e Evil Conduct, então vais ter de ouvir este disco. O encarte está excelente com montes de fotos e cartazes da banda.


Rose Tattoo
- ‘Pain’ - Steamhammer - 2002 - Este é o ultimo disco de originais dos australianos Rose Tattoo. 16 temas e quase uma hora 100% Rock’n’Roll é o que vais aqui encontrar. Os Rose Tattoo são uma instituição do Rock puro e duro. Em conjunto com os AC DC levaram o rock australiano ao mais alto nível. A voz e estética inconfundível de Angry Anderson, o ritmo electrizante das suas guitarras e bateria, as suas letras rueiras, rebeldes e pró classe trabalhadora e a sua atitude punk-rock tornam os Rose Tattoo uma banda obrigatória para punks, skins, roqueiros, metaleiros e todo o amante da música com atitude. Temas como ‘Black Magic’, ‘House of Pain’, muito melódico e catchy, ‘Union Man’ onde Angry Anderson deixa claro como é que deve ser ‘Sou sindicalizado, esforço-me ao máximo e faço o melhor que posso, um salário justo por um dia de trabalho honesto, não consigo ver a coisa de outra maneira, porque sou um homem do sindicato’, e ‘Living Outside my Means’ são temas que ficarão para a história como verdadeiros hinos rock. O encarte que acompanha o cd trás todas as letras das 16 músicas e fotos da banda. Que mais posso dizer...são os Rose Tattoo!

Fonte: Brutus Records / Sunny Bastards / Hit Records / Rose Tattoo Website

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quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Reviews - Hepcat, Komintern Sect e Banlieue Rouge

Hepcat - ‘Push N’ Shove’


O que este último trabalho dos Hepcat nos traz é ritmo q.b. para dançar à moda do ska tradicional. Muitas canções de amor e a sensualidade própria dos sons tropicais fazem deste álbum uma novidade que depressa se tornará num clássico de ska e rocksteady. A recriação que os Hepcat fazem do ska e do reggae tradicionais resulta muito eficaz. Destacam-se, além dos temas instrumentais, a faixa “Prison of Love”, com uma cantora convidada cuja voz dá vida a este hino ao amor; “Tek Dat”, um dos temas mais dançáveis, e “Comin’ on Strong”, com uma voz a fazer lembrar aos incrédulos o quanto o ska tem a ver com soul. Isto sim é que é um disco à maneira. Há uma grande falta de discos deste género, nos dias de hoje. No entanto, não serve para quem tem os pés pesados. É hora de levantar do sofá e pegar na miúda para dançar!

Komintern Sect - ‘Pourquoi tant d’amour?’

Vale bem a pena ter este trabalho na vossa discografia. São 25 poderosas músicas desta banda, infelizmente já extinta. Sinto que este tipo de bandas francesas antigas não têm a divulgação que merecem, mesmo no circuito underground. Por isso, não poderíamos deixar de divulgar este disco que percorre quase toda a carreira dos Komintern. Com muitas músicas para cantar com a malta, destacam-se: “Plus fort que tout”, um hino à amizade; “Dans les tribunes”, para os amantes de futebol, “Les Autres”, contra a hipocrisia, ou temas mais políticos como “Barcelone 1936” ou “Ulster”. Essencial para quem gosta e para quem quer ficar a conhecer.

Banlieue Rouge - ‘Sous Un Ciel Écarlate’

Um sentimento algo saudosista percorre a minha mente ao ouvir este último álbum dos já extintos Banlieue Rouge, grupo canadiano, mais precisamente do Quebéc, responsável por alguns temas essenciais para a cultura Oi! da década de 90. Neste disco, os Banlieue Rouge exploram ao extremo o ambiente negro que já era frequente nos registos anteriores. Reflectem sobre a morte, o fim, o Inferno (talvez num prenúncio do final da banda), a guerra, a raiva, a loucura e outros assuntos que, parecendo ter, aparentemente, muito pouco a ver com o ambiente de rua tão fomentado pela cultura careca, têm tudo que ver com a essência de todos nós. Quem ainda não os ouviu, não se assuste. Todo o ambiente negro criado neste trabalho é transmitido com bastante garra e pretende, não deixar-nos levar pela impossibilidade de controlar o nosso futuro, mas antes revoltarmo-nos ou, pelo menos, dar-nos força para querer agir. Ouçam, por exemplo, a faixa que dá título ao álbum e percebam vocês mesmos. Para os felizardos que conhecem minimamente a língua francesa, este disco pode funcionar como um autêntico manual de compreensão do mundo que nos rodeia. É difícil tentar recomendar apenas algumas músicas, mas aqui vai uma tentativa. Ouçam então: “Aux portes de l’enfer”, em que a voz poderosa de Safwan entra como uma faca nos nossos ouvidos; “Sans reddition”, sobre a indústria musical e os que conseguem recusar fazer parte das convenções do mercado e “Dernier sourire”, um apelo à acção, a não nos deixarmos levar pelas desilusões e seguir em frente com a vida. Se tiverem a oportunidade, ouçam o primeiro álbum, com o título sugestivo de En attendant demain (uma imagem bem mais positiva do que a deste último álbum) e descubram as diferenças.

Fonte:Ricci

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terça-feira, maio 24, 2005

Skinheads em 'The Skatalites' - O que os jornais diseram!

Realizou-se no passado mês de Abril o Festival Oeiras Reggae 2005. A bandas presentes foram muitas. Aquelas que mais interesavam ao público Skinhead eram sem dúvida Max Romeo que entre muitos hits deliciou o público com o clássico 'Jamaica Ska' e os 'Grandes' The Skatalites. Entre as 3.500 - 4.000 pessoas que assitiram ao festival encontrava-se um bom grupo de Skinheads. Segundo alguns espectadores, estariam cerca de 60-70 cabeças rapadas a assistir ao concerto. Como não estavam todos juntos era dificil contabilizar. Foram vistos grupos de 20 a 30 Skins na zona do concerto. Alturas houve em que a zona do bar estava 'quase tomada de assalto' pelos vários grupos de skins presentes. Segundo declarações um skin presente no concerto 'uma das vezes que vim da zona do bar e olhei para trás até metia impressão. Só se via cabeças rapadas e suspensórios. Eram às dezenas'. Por altura da actuação dos 'The Skatalites' os Skinheads ocuparam afincadamente as filas da frente.
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A presença dos Skinheads não passou despercebida a ninguém. Alguns orgãos de informação realçaram a presença deste fanáticos seguidores dos 'The Skatalites'. Seguidamente irei trancrever as linhas de 3 públicações: 'Expresso', 'Blitz' e 'Diário Digital'. Não sei se mais algum orgão de informação divulgou a presença dos Skinheads. O que é dito nestes jornais é por vezes discutível, mas como saiu é como aqui será transcrito.
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O Expresso dedicou duas páginas ao concerto e referiu-se aos skins pesentes nestes termos: 'Com estatuto de lenda viva - a comemorar 41 anos - os Skatalites eram os cabeças de cartaz e, a avaliar, não terão desiludido os admiradores, dentre os quais a tribo skinhead, que não falha um concerto do grupo. É o caso de João, lisboeta. Do seu discurso poder-se-ia ter advinhado o facto de ser estudante de Marketing e Publicidade. ''Além dos The Slackers, que são da nova escola do ska, os Skatalites são os meus preferidos. São originadores do movimento ska e rudeboy que nasceu na Jamaica e deu origem ao movimento skinhead, transferido para Inglaterra pelos imigrantes jamaicanos. Do reggae transportado pelos jamaicanos e da cena r&b nasceu o movimento ska''. Após esta justificação histórica, fez questão de demarcar-se, a si e aos skinheads presentes, do ramo neonazi: ''Não somos racistas''.
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Comentário do Blog: O jornalista apelida os skinheads de tribo. Não são uma tribo, mas sim uma cultura com cerca de 40 anos de exitência. Em relação ao que o entrevistado diz temos algumas coisas a esclarecer. Na nossa opinião os The Slackers não são uma banda da nova escola do Ska. A banda tem pelo menos 10 anos e o som que tocam é bastante tradicional. O ska e os rude boys não deram origem aos skinheads. Os skinheads que têm a sua origem em Inglaterra tornaram-se os maiores ouvintes e seguidores da música ska trazida pelos imigrantes jamaicanos para o Reino Unido. Os skinheads têm as suas raízes nos Mods ingleses (mais propriamente nos hard-mods) e na roupa, música e alguns tiques verbais, corporais e de classe dos Rude Boys jamaicanos. O que foi transferido para inglaterra pelos imigrantes jamaicanos não foi o movimento skinhead, mas sim algumas particularidades que compõem um skinhead. O ska não nasceu do reggae e do r&b. O reggae é que deriva do ska. E não existe um movimento ska. Existe sim um estilo musical apelidado de ska que é especialmete acarinhado por alguns cultos e faz parte das raizes da cultura skinhead.

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O Blitz dedicou um capa do jornal e reportagem especial aos 'The Skatalites' e dedicou mais uma página de outro número do jornal ao concerto. Sobre os Skinheads disse:

'Para quem pudesse ter dúvidas em relação à existência de público em solo português para um festival dedicado à música da Jamaica, cruza-se harmoniosamente com freaks convictos, betos radicais, curiosos fumadores de coisa adocicada e skinheads de esquerda deverá ser suficiente para ver a luz'

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Comentário do blog: OK, só me vou referir à parte quando o jornalista diz 'skinheads de esquerda'. Pois é sempre mais fácil do que dizer simplesmente skinheads. É mais soft! São realmente skinheads, mas prontos a gente desculpa porque são de esquerda. É um pouco aquele paleio politicamente correcto!
Digo de certeza que parte dos skinheads presentes no concerto seriam de esquerda. Mas de certeza que nem todos eram. De certeza que os havia mais libertários, apoliíticos, mais conservadores, tradicionalistas, calhando até anti-comunistas. E já agora a que esquerda pertenceriam? Seriam marxistas, do PC, do BE, votam no PS, ou serão de esquerda independente e nem votam. E seriam patriotas e nacionaliatas? E se fossem poderiam ser de esquerda? E se alguns fossem católicos? Ainda eram de esquerda ou seriam de direita?
Vamos lá por as coisas assim. Eram skinheads! pronto! Se o jornalista perguntase a um dos skins presentes qual a sua tendência política como skinhead e ele respondese que era de esquerda, então a entrevistadora poderia afirmar que aquele skinhead era de esquerda! Só para concluir que não se deve generalizar!

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O Diário Digital fez uma notícia em a dado momento se pode ler:

'A falta evidente do respeitoso Lloyd Brevett tentou ser colmatada com uma performance bem conseguida de toda a banda, em especial do baterista Lloyd Knibb que conseguiu servir de mola impolsionadora a grande parte do espectáculo. «Latin Goes Ska», «Rivers of Babylon» ou «Phoenix City» foram cantadas por esófagos entupidos de espuma dos muitos rude boys presentes no concerto (com direito a uma comissão vinda da Galiza).'



Comentário do Blog: Aqui os Skinheads são apelidados de Rude Boys. Que eu saiba em Portugal não existe movimento Rude Boy. Há alguns fans da música ska e alguns simpatizante do cultura skin que se vestem ao estilo Rude Boy para irem a uma festa ou concerto ska. São muito poucos! E neste concerto não se viam! Pronto! É outra maneira de não dizer skinheads!

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The Skatalites em Sines

Da primeira primeira vez que os The Skatalites actuaram em terras lusitanas (Festival música do mundo em Sines) acorreram a terras alentejanas quase 10 mil fans da banda. Estive nesse memorável concerto e a presença de Skinheads também se fazia notar. Quem passeava por Sines não deixava de poder reparar nos vários grupos de jovens com cabelo muito curto, suspensórios, polos fred perry, doc martens, que paseavam pela zona e ocupavam algumas das esplanadas dessa bonita terra alentejana. Não estavam todos juntos. Apessar de não se poder ver toda a zona do espectáculo ao promenor, tal era a massa humana presente, contabilizei por alto pelos menos meia centena de skins. Durante o concerto um Skinhead invadiu o palco e tentou dar um fanzine ao vocalista da banda. O membro dos 'The Skatalites' não percebeu a honra e devoção que aquele skin tinha. O vocalista ficou como que baralhado e não aceitou a oferta. No final de contas estava a meio de um espectáculo. O Skin um pouco ofendido deitou a fanzine para o palco e saiu entristecido. Quando tudo parecia ter passado, eis que um dos membros da banda corre o palco apanha a fanzine (que mais tarde consegui arranjar e que se não me engano se intitulava 'Smart & Violent' ou 'Smart & Clean' e que tinha uma rapariga Skinhead na capa) e após dar uma vista de olhos, e ver bem do que se tratava, beijou a revista e guardou-a. Aqui estava um gesto de respeito por um artista jamaicano para com aqueles que sempre os apoiaram ao longo da sua carreira: os Skinheads. Ficou tudo em bem e em pratos limpos. Recordo-me também no fim do espectáculo de uma louca e forçada invasão de palco. Uma das razões teria sido a atitude de um segurança que maltratou uma jovem que embriagada percoria o palco e por pouco não caia em cima do 'velhito' vocalista. O segurança quando tentou fazer o seu trabalho não foi cuidadoso o que caiu mal no público presente. A agressão verbal do público não se fez esperar e a chuva de latas e outros objectos em direção ao segurança foi o mote para a invasão. Era ver uma turba de freaks, rastas, skinheads e demais espectadores a ocupar o palco. O segurança perseguido teve de fugir e refugiar-se sabe-se lá onde! No meio desta pequena festa/confusão e em pleno palco era ver um nutrido grupo de Skinheads com uma grande bandeira com um casco troiano. Seria um tributo à editora Trojan Records que editou vários dos trabalhos dos 'The Skatalites' ou um símbolo da Sharp (fação de skinheads que realça fortemente a sua oposição ao racismo). Não lhes fui perguntar!Mas isto apenas foram uns pequenos aperitivos de um belissímo espectáculo de Ska! Foi também bonito ver um jovem Rude Boy. Sim! Completamente trajado ao melhor estilo Gangster: de loafers, pork-pie e fatinho com calça curta e meia branca a dançar um belo ska com a uma das vocalista da banda.

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Fonte: Expresso, Blitz, Diário Digital e leitores do Blog.

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